Resenha: Hoje, para um número crescente de pessoas, a rede é, de fato, um computador. Agenda, e-mail e aplicativos básicos de escritório já não residem necessáriamente no micro. Podem rodar na grande nuvem computacional da internet. Essa tendência é chamada, entre outros nomes, de “software como serviço” (em inglês, SaaS). Uma característica marcante neste novo modelo de negócio dos aplicativos online é a tendência à gratuidade. Chris Anderson vê a economia do gratis como causa da lei de Moore: espaço para armazenamento dos dados, poder de processamento e banda para transmissão ficaram tão baratos que a oferta gratuita tornou-se viável. O exemplo verifica-se no armazenamento de dados: Quando o preço chegou a 100 dólares por GB, nasceu o Hotmail com 2 MB gratuitos; em 1 dolar por GB, o Google lançou o Gmail com 1GB de graça; No final de 2207, com o GB a 40 centavos de dólar o Yahoo ofereceu espaço ilimitado em seu webmail. A idéia, diz Anderson é que se o preço de alguma coisa se aproxima de zero é melhor tratá-lo logo como zero e vender outra coisa. Esses sites perceberam que, em vez de vender contas, era melhor vender publicidade. Outra coisa que viabilizou a economia do grátis é o enorme ganho de escala trazido pela internet. Antes, o serviço oferecido era uma fração do custo comercial. No caso dos softwares como serviços online, o custo de acrescentar mais um usuário tornou-se próximo do zero. Assim outra regra surgiu: algo como distribuir 99% gratis e apenas 1% pago, como fazem o Skype e o Google Earth, que tem versões pagas usadas por uma pequena parcela do total de usuários. Também, se a primeira leva de serviços online era destinada aos usuários individuais, agora as empresas começaram a aderir. Para tais organizações, os benefícios dos aplicativos online incluem a possibilidade de gastar menos com a infra-estrutura de informática, mas principalmente facilidades nas reuniões à distância e o acesso a documentos durante viagens. É fato que, por enquanto, muitos aplicativos ainda não são viáveis na web, mas isso deve mudar gradualmente, a medida que os custos da computação e da transmissão forem caindo ainda mais. Quando houver conexões de fibra óptica até a casa dos usuários, tudo será diferente. Há quem diga 10 anos, há quem diga 20, mas ninguém duvida que o caminho é a internet.
Interpretação: A economia do grátis nada tem a ver com a benevolência das empresas e pouco com o idealismo libertário dos novos desenvolvedores. É um novo modelo de negócio, altamente lucrativo e que precisa ser visto com olhos menos desconfiados pelo serviço público. A qualidade garantida pelo preço não é mais uma verdade, quando de trata de softwares oferecidos como serviço online e a instituição pública tem o dever de reavaliar seu custo ao cidadão e ao país.
Fonte: GRECO, Maurício et al. (Org.). Kit essencial para o PC: Os programas absolutamente indispensáveis no dia-a-dia!. Info Exame, São Paulo, n. 264, p.40-41, 01 fev. 2008. Mensal. (Introdução do artigo).